quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EMBOLADA URBANÓIDE




















o amigo resolve me interpelar. estamos na merça, depois da terceira taça de santa helena merlot.

– você fala demais nesse teu amor aí. vamos fazer o seguinte: defina o teu amor em uma única frase! estratégia twitter: 140 toques! é pegar ou largar.

– não dá, desculpa, é muito pouco...

– deixa de ser cuzão! vamos fazer um duelo, então! eu digo uma frase e você diz outra em cima. vale frase composta. quem disser a melhor ganha, quem afinar perde.

resolvi topar, para não perder o freguês.

– ok, mas eu começo.
espero 4 segundos regulamentares. sem protestos. então, eu começo:

– o meu amor é a única que já acorda bonita, e é tão bonita descabelada quanto vestida para ir ao municipal.

ele manda em cima, sem pestanejar:

– o meu amor torce pra outro time, mas sofre comigo quando o meu, que é arquirrival do dela, perde em casa para o... fluminense.

tive de reconhecer: manda bem, o rufião. tento recuperar o terreno.

– o meu amor finge que não nota quando o rodrigo hilbert entra no mesmo restaurante que a gente tá jantando só para não me desagradar.

– o meu amor, quando entra o rodrigo hilbert e a mulherada começa a torcer o pescoço, bom, ela diz que ele tem pernas de pombo e sorriso de fuinha.

o cara é bom. mas ninguém disse que ia ser fácil. passamos ao duelo explícito. eu apelo para a estratégia “parachoque de caminhão”:
– o meu amor é que nem segunda instância jurídica: sempre me dá uma nova chance!

– o meu amor é tão gente fina que enxerga qualidades até em televangelistas, colegas carreiristas e chefes canalhas.

– o meu amor me lembra de consultas ao ortopedista e do dia da peniscopia.

– o meu, quando viu na TV a onça atropelada na anhanguera, quis ir até lá para ter certeza de que tava mesmo viva!

What?
Ok, vou aceitar essa como amostra de capacidade afetiva. Mas ele emenda outra.

– o meu amor é tão cheio de desígnios que deixa intrigada até baiana que lê mão na escadaria da igreja do Bonfim!

– o meu amor gritou Eu Te Amo entrando na sala de cirurgia!

Ele para, boquiaberto.
– Sério essa?
– Seríssimo.

O amigo então espeta um pedaço de cebola numa fatia de picanha aperitivo e engole sem entusiasmo. Parece resignado da derrota, conseguida por mero desespero de causa. Mas não dá 10 minutos e desafia para outro duelo temático. Eu tento escapulir.

– Não seja cuzão!

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