segunda-feira, 22 de junho de 2009

NOSTALGIA EMBARALHADA


clique na foto para ampliar o buraquinho












anda mais deserto do que coletiva do treinador da seleção de futebol da nova zelândia, merda de pombo para todo lado.
parecia maior nos anos 80, uma verdadeira arena.
descobri que só tem na verdade uns quatro metros quadrados.
tinha pequenos arbustos nos quatro cantos, hoje só restaram toquinhos, as árvores foram cortadas.
era aqui que o povo se reunia, no famoso buraquinho (um arremedo de jardim de inverno dois degraus abaixo do nível do chão, no meio do departamento de comunicação, com piso de ladrilhos).
uma vez nós penduramos caixas acústicas nas colunas e botamos nosso programa de rádio gravado para tocar.
era o fredim radiofônico.
tinha também o fredim papel, que era uma colagem pseudojornalística que ia no mural. o fredão montava maravilhas com fotos antigas.
ali naquele buraquinho os engajados conspiraram para baixar a tarifa dos ônibus.
ali nós discutimos sobre os belos joelhos da mary moo, e também debatemos a grande forma antigravitacional dos peitos que a ise botou para fora na peça do teatro proteu.
o buraquinho foi o nosso monumental de nuñez, nosso parc des princes, nosso anhangabaú pé-vermelho.
paulo leminski sentou ali para conversar com a moçada, assim como o caio f, o reinaldo moraes, o caco barcellos.
nitis jacon em pessoa distribuiu filipetas do teatro proteu.
como teria sido se já houvesse internet? menos divertido?
improvável. teríamos dado um jeito.
o problema, quando você tem recursos demais, é se empanturrar antes mesmo de experimentar o sabor daquilo.

uma bela turma aquela: fredão, jersey, riba, mark preto, careca, jogó, mary moo, cris, sandrão, cláudia bolinha, cláudia castor, campana.
fredão, o folgado, demorava um mês ou mais para chegar das férias, e nós íamos buscá-lo na rodoviária velha, projeto do vilanova artigas.
ele chegava com o cabelo parafinado, óculos escuros, garoto estiloso e carismático.
a memória aumenta as coisas, a nostalgia embaralha.
mas é líquido e certo que tivemos boas tardes de uísque (doado pelo bar da maria helena), e boas manhãs de crueldade sob o som da metralhadora sarcástica do chico amaro.

4 comentários:

Luana Vignon disse...

bons tempos de uel. abraço.

mark preto disse...

meu caro, tenho cá dois ou três fios de charme branco na cabeleira escura. rapá, parte da nostalgia oriunda do buraquinho tem sido recontada, reinventada e embaralhada nas trocas de mensagens rumo ao pereveca. experimentamos o sabor daquilo e agora usamos os recursos para empurrar a memória.

Cris disse...

Estou por aqui... segui o rastro da saudade...

Beijos meu querido amigo... muitos beijos!!!!

Rê Gallo disse...

Estou aqui com a Lorena, minha filha, vendo Arquivo N especial Michael e está ora vc, ora Oprah falando de Michael... Achei tão chique!!!
bjs, Jeibi!